Feira Cultural 2011

Feira Cultural 2011
Reciclagem

sábado, 31 de dezembro de 2011

EDUCAÇÃO INFANTIL



 
O brinquedo é oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e confere habilidades. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e atenção.
Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. Irá contribuir, no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto.
Brincar é um momento de auto - expressão e auto - realização. As atividades livres com blocos e peças de encaixe, as dramatizações, a música e as construções desenvolvem a criatividade, pois exige que a fantasia entra em jogo. Já o brinquedo organizado, que tem uma proposta e requer desempenho, como os jogos (quebra-cabeça, dominó e outros) constitui um desafio que promove a motivação e facilita escolhas e decisões à criança.
O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos, diminuindo o sentimento de impotência da criança. Brincando, sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. A qualidade de oportunidades que estão sendo oferecidas à criança através de brincadeiras e brinquedos garantem que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem. A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.
Um bichinho de pelúcia pode ser um bom companheiro. Uma bola é um convite ao exercício motor, um quebra - cabeças desafia a inteligência e um colar faz a menina sentir-se bonita e importante como a mamãe. Enfim, todos são como amigos, servindo de intermediários para que a criança consiga integrar-se melhor.
As situações problemas contidas na manipulação dos jogos e brincadeiras fazem a criança crescer através da procura de soluções e de alternativas. O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca alcança níveis que só mesmo a motivação intrínseca consegue. Ao mesmo tempo favorece a concentração, a atenção, o engajamento e a imaginação. Como conseqüência a criança fica mais calma, relaxada e aprende a pensar, estimulando sua inteligência.
Para que o brinquedo seja significativo para a criança é preciso que tenha pontos de contato com a sua realidade. Através da observação do desempenho das crianças com seus brinquedos podemos avaliar o nível de seu desenvolvimento motor e cognitivo. No lúdico, manifestam-se suas potencialidades e ao observá-las poderemos enriquecer sua aprendizagem, fornecendo através dos brinquedos os nutrientes ao seu desenvolvimento.

 A relação criança X brinquedo X adulto

 A criança trata os brinquedos conforme os receberam. Ela sente quando está recebendo por razões subjetivas do adulto, que muitas vezes, compra o brinquedo que gostaria de ter tido, ou que lhe dá status, ou ainda para comprar afeto e outras vezes para servir como recurso para livrar-se da criança por um bom espaço de tempo. É indispensável que a criança sinta-se atraída pelo brinquedo e cabe-nos mostrar a ela as possibilidades de exploração que ele oferece, permitindo tempo para observar e motivar-se.
A criança deve explorar livremente o brinquedo, mesmo que a exploração não seja a que esperávamos. Não nos cabe interromper o pensamento da criança ou atrapalhar a simbolização que está fazendo. Devemos nos limitar a sugerir, a estimular, a explicar, sem impor nossa forma de agir, para que a criança aprenda descobrindo e compreendendo, e não por simples imitação. A participação do adulto é para ouvir, motivá-la a falar, pensar e inventar.
Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com amigos, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando aprender regras e conseguir uma participação satisfatória.
No jogo, ela aprende a aceitar regras, esperar sua vez, aceitar o resultado, lidar com frustrações e elevar o nível de motivação.
Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, ampliando sua compreensão sobre os diferentes papéis e relacionamentos humanos.
As relações cognitivas e afetivas da interação lúdica, propiciam amadurecimento emocional e vão pouco a pouco construindo a sociabilidade infantil.
O momento em que a criança está absorvida pelo brinquedo é um momento mágico e precioso, em que está sendo exercitada a capacidade de observar e manter a atenção concentrada e que irá inferir na sua eficiência e produtividade quando adulto.

Vamos brincar?

Brincar junto reforça os laços afetivos. É uma manifestação do nosso amor à criança. Todas as crianças gostam de brincar com os pais, com a professora, com os avós ou com os irmãos.
A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o jogo. Ao mesmo tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado.
Guardar os brinquedos com cuidado pode ser desenvolvido através da participação da criança na arrumação feita pelo adulto. O hábito constante e natural dos pais e da professora ao guardar com zelo o que utilizou, faz com que a criança adquira automaticamente o mesmo hábito, ocorrendo inclusive satisfação tanto no guardar como no brincar.
Maria do Rosário Silva Souza

" Os professores podem guiá-las proporcionando-lhes os materiais apropriados mais o essencial é que, para que uma criança entenda, deve construir ela mesma, deve reinventar. Cada vez que ensinamos algo a uma criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Por outro lado, aquilo que permitimos que descubra por si mesma, permanecerá com ela."
( Jean Piaget )







Dicas de Comportamento  

Integração entre pais, filhos e professores

Ela traz bons resultados. Promova-a em sua Escola.

Escola e família são fundamentais na formação da criança e por isso devem ser parceiras. Essa opinião é unânime entre educadores. Não basta que os pais escolham um bom colégio para os filhos, é preciso compartilhar o dia-a-dia com eles. "Somente participando e se envolvendo no cotidiano escolar é que irão demonstrar aos filhos a importância dos estudos. Além disso, essa aproximação permite acompanhar e prevenir problemas de aprendizagem", afirma Nádia A. Bossa*, mestre em Psicologia da Educação. Preocupadas com essa integração, muitas instituições estão elaborando projetos para aproximar os pais da rotina escolar durante todo o ano e não somente nas reuniões de pais. Veja, a seguir, alguns exemplos de sucesso.

Junte-se a nós

Este é o nome do projeto do Colégio Augusto Laranja, de
São Paulo, que convida pais e avós a dividirem um talento   
com os estudantes de dois a dez anos. Vale cantar, tocar
até ensinar detalhes de sua profissão. Mónica Gimenes,
coordenadora da Educação Infantil, garante que o projeto,
que já existe há três anos e é realizado uma vez por semana
durante cinco meses, é um sucesso. "Existe uma relação
muito próxima dos pais e avós com a criança dessa idade e
essa atividade realça a ligação afetiva e o reconhecimento
dos colegas por esse familiar", ressalta.

Convívio e afeto

"Quando os pais participam de atividades na escola, as crianças entendem que são importantes para eles, e isso é fundamental para o seu desenvolvimento psíquico", declara Júlia Eugenia Gonçalves, mestre em Educação e Psicopedagogia. Na Escola de Educação Infantil Materna - Centro de Cuidados e Desenvolvimento Infantil, no ABC paulista, a interação acontece na "Festa da Família", que transforma os Dias dos Pais e das Mães em uma atividade, da qual avós, tios e outros familiares também participam. "Neste ano aconteceu a Gincana Cultural. As famílias se organizaram em equipes com direito a líder e grito de guerra e participaram de diversas provas, como criação de objetos com sucata", conta a diretora Adriane Imbroisi.

Participação em projetos

O Colégio Sion, de São Paulo, promove o projeto "Integração Família - Escola", que tem duração de um semestre e do qual participam crianças de dois a seis anos. "Quando desenvolvemos um tema específico, como o folclore, por exemplo, convidamos os pais a contar lendas. No projeto '100 anos de Imigração Japonesa' chamamos pais e mães descendentes de japoneses para conversar com as crianças. Desta forma fortalecemos os laços e oferecemos oportunidade às famílias de dividirem suas experiências com as crianças, tornando nosso trabalho muito mais rico", diz Maria Bernadete Silveira, coordenadora pedagógica da Educação Infantil.

"Nádia A. Bossa é autora do livro "A Psicologia no Brasil - ContribL








um instrumento, preparar uma receita, contar histórias         






Oito coisas que levamos anos para aprender(Luis Fernando Veríssimo)

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o
garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa.
(Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha)


2. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
(Na maioria das vezes quem tá te olhando também não sabe! Tá valendo!)

3. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
(Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua
vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra! )

4. Não confunda sua carreira com sua vida.
(Aprenda a fazer escolhas!)


5. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a
razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca
atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria
'reuniões'.
(Onde ninguém se entende... Com exceção das reuniões que
acontecem nos botecos...)

6. Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença
mental'.
(Ouvir música é hobby.... No volume máximo as sete da
manhã pode ser doença mental!)kkkkkkkk

7. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
(Que bom!!!!!)


8.'Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra.'
William Shakespeare

Vinte passos para combater a indisciplina com alunos






1 - Estabeleça regras claras
2 - Faça com que seus alunos as compreendam
3 - Determine uma sanção para a quebra das mesmas
4 - Determine uma recompensa para seu cumprimento
5 - Peça apoio de seus colegas de equipe
6 - Estabeleça estratégias em conjunto com a equipe; os alunos precisam perceber a hegemonia das atitudes
7 - Respeite seus alunos
8 - Ouça-os
9 - Responda ao que lhe for perguntado com educação e paciência
10 - Elogie boas condutas
11 - Seja claro e objetivo em suas intervenções
12 - Deixe claro que o que é errado é o comportamento, não o aluno
13 - Seja coerente em suas expectativas
14 - Reconheça os sentimentos de seus alunos e respeite-os
15 - Não lhes diga o que fazer; permita que cheguem às suas próprias conclusões
16 - Não descarregue a sua metralhadora de mágoas em cima deles
17 - Encoraje sempre
18 - Acredite no potencial de cada um e no seu
19 - Trabalhe crenças negativas transformando-as em positivas
20 - Seja afetuoso(a)

Fonte: Manual do Professor. Revista Profissão Mestre, n108 set. 2008. p.38

EDUCAÇÃO INFANTIL

Música para aprender e se divertir

A iniciação musical na Educação Infantil e nas séries iniciais do Fundamental estimula áreas do cérebro da criança que vão beneficiar o desenvolvimento de outras linguagens. Além,éclaro, de ser um grande barato!Foto: Gustavo Lourenção

A professora Katia Cassia dos Santos, de Diadema, busca a afinação com sua turma de 1ª série: flauta doce na iniciação musical. Foto: Gustavo Lourenção
"Quem já viu um prato?"
- Eeeeeeeeuuuuuu!!!
- Mas não é o de comer.
- Aahhh...
- É aquele que quando bate faz... Querem ver? - (Toca no aparelho de CD o som do prato de bateria)
- Eu já ouvi, eu já ouvi!
- Eu também!

O diálogo acima, comandado pelo professor de Educação Infantil Fausto José de Gouveia, deu início a uma das atividades de música da Escola Municipal Serraria, em Diadema (SP). Fausto conduzia a turminha de 5 anos com a leitura do livro Conheça a Orquestra (Ann Hayes, Ed. Ática, 18,50 reais). O objetivo era apresentar, além dos instrumentos musicais, noções de agudo e grave por meio da comparação com o som dos bichos. A criançada se divertia enquanto imaginava o rugido do leão e o "pom, pom, pom" do baixo. Com isso aprendia: "Cada animal, um som diferente, assim como os instrumentos". Na seqüência, as crianças ouviram mais histórias, sapatearam, cantaram e brincaram de Escravos de Jó, reunindo canto, ritmo e coordenação motora. Entre versos e rimas, noções de intensidade e pulsação.
Mais sobre música
Reportagens
Plano de aula
Em uma classe perto dali, um pouco mais velhos, os alunos da 1ª série da professora Katia Cassia Santos, da Escola Municipal Anita Malfati, começavam uma nova etapa do aprendizado musical: tocar flauta doce. Dedinho indicador e polegar fechando os primeiros buraquinhos do instrumento, um em cima, outro na parte inferior, todos faziam, de início, a maior algazarra. Aos poucos afinavam a nota.

Música para quê? 

Realizar esse tipo de trabalho ajuda a melhorar a sensibilidade das crianças, a capacidade de concentração e a memória, trazendo benefícios ao processo de alfabetização e ao raciocínio matemático. "A música estimula áreas do cérebro não desenvolvidas por outras linguagens, como a escrita e a oral. É como se tornássemos o nosso 'hardware' mais poderoso", explica a pedagoga Maria Lúcia Cruz Suzigan, especialista no ensino de música para crianças. Essas áreas se interligam e se influenciam. Sem música, a chance é desperdiçada. Segundo Maria Lúcia, quanto mais cedo a escola começar o trabalho, melhor. "Essa linguagem, embora antes fosse mais comum, faz parte de cultura das crianças por causa das canções de ninar e das brincadeiras. O pouco que ainda resta abre um oportuno espaço para o trabalho na escola." Se você já sabe que a linguagem musical é importante para as crianças, mas tem medo, se acha desafinado, não toca um instrumento e não sabe por onde começar, os pesquisadores da área procuram desfazer o mito de que é difícil ensinar música para crianças sem ser músico. "Não é complicado, só trabalhoso. Não se espera que o professor de música seja um músico, assim como não se imagina que o alfabetizador é um grande escritor", enfatiza Maria Lúcia. Ela criou nas prefeituras de Diadema e Itu, em São Paulo, um programa de capacitação dos professores da rede que inclui formação e planejamento de atividades.

Para aprender coisas novas é necessário enfrentar a barreira do medo e quebrar o paradigma do dom. "Se você não é muito afinado, não faz mal, pode usar uma gravação e cantar com a criançada. Quando na escola há alguém que toca violão, essa pessoa pode fazer um acompanhamento", afirma Rozelis Aronchi Cruz, que coordena o projeto em Diadema.

Se não há o amparo da rede de ensino, não desanime. "Aventure-se um pouco", defende José Henrique Nogueira, que há 18 anos dá atividades de música na Educação Infantil e recentemente começou ensinar como se faz isso no curso de pedagogia da Universidade Católica de Petrópolis, no Rio de Janeiro. De início ele sugere a leitura do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. O volume 3 traz orientações para crianças de 0 a 6 anos e uma discografia.

"Ajuda muito um planejamento das atividades que inclua a preocupação constante com a linguagem musical. A música não pode ficar restrita a eventos como festas e datas marcantes, mas deve ser uma prática diária", completa Elvira de Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano e orientadora dos programas de ensino musical das prefeituras de Blumenau (SC), Coronel Fabriciano (MG) e Guarulhos (SP).
 
 
 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Dificuldades na aprendizagem dos hábitos de higiene


As crianças aprendem a controlar os intestinos habitualmente entre os 2 e os 3 anos e a bexiga entre os 3 e os 4 anos. Com 5 anos quase todas as crianças sabem ir sozinhas à casa de banho e vestir-se, despir-se e limpar-se. No entanto, cerca de 30 % das crianças normais com 4 anos e 10 % com 6 anos não conseguiram ainda nessa idade um controlo nocturno constante.
Prevenção e tratamento
A melhor maneira de evitar os problemas relacionados com a aprendizagem do abandono da fralda é aperceber-se quando a criança está pronta a deixá-la. Um sinal evidente acontece quando a criança se mantém seca durante várias horas ou pede que mudem a fralda quando está molhada. Também é um sinal evidente a criança demostrar interesse em sentar-se num bacio ou na sanita e ser capaz de seguir ordens verbais simples. Em geral, as crianças estão preparadas entre os 24 e os 36 meses de idade.
O método habitual para largar a fralda é o das horas fixas. Quando uma criança parece estar pronta, ensina-se o que é um bacio e pouco a pouco pede-se para ela se sentar nele, com a roupa posta. Depois é incentivada a experimentar a baixar as calças, sentar-se no bacio entre 5 a 10 minutos (não mais) e a voltar a vestir-se. Dão-se explicações simples repetidamente e sublinha-se a explicação pondo fraldas molhadas ou sujas dentro do bacio. Quando a criança actua como se esperava, elogia-se ou dá-se-lhe um prémio. A ira ou castigo por um fracasso ou um acidente podem ser contraproducentes. Este método funciona bem nas crianças que urinam ou defecam em horários previsíveis. Dar o estímulo e a recompensa necessários torna-se difícil se a criança tem horários imprevisíveis. Neste caso é melhor atrasar a aprendizagem até que as crianças possam antecipar a necessidade de ir sozinhas à casa de banho.
Um segundo método de ensino requer a utilização de um boneco. Ensina-se a criança que está aparentemente pronta para os passos a seguir na casa de banho simulando que o boneco está sentado no bacio. Elogia-se o boneco por ter as calças secas e por cumprir satisfatoriamente cada passo do processo. A seguir é a criança que imita este processo, repetidamente, com o boneco, elogiando-o também. Por último, a criança imita o boneco e segue os mesmos passos enquanto os pais a elogiam e recompensam.
Se a criança se nega a sentar-se no bacio, pode deixar-se que se levante e tente de novo depois de comer. Se continua a resistir durante dias, a melhor estratégia é adiar o treino durante várias semanas. Elogiar ou recompensar o facto de sentar-se com êxito no bacio dá bons resultados, tanto em crianças normais como em crianças com atraso mental. Uma vez estabelecido o padrão, recompensa-se por cada um dos êxitos, deixando gradualmente de o fazer. As lutas de poder são improdutivas e podem causar tensão na relação pais-filho. Se se gera um círculo vicioso de pressão e resistência, é possível quebrá-lo com outras técnicas. (Ver secção 23, capítulo 257)
Molhar a cama
Diz-se que uma criança molha a cama quando, tendo idade suficiente para controlar os esfíncteres, urina durante o sono de forma acidental e repetida.
Continuam a molhar a cama aproximadamente 30 % das crianças com 4 anos, 10 % com 6 anos, 3 % com 12 anos e 1 % com 18 anos. Molhar a cama é mais frequente nos rapazes do que nas raparigas e aparenta ser um problema de índole familiar. Este problema costuma ser provocado por uma maturação lenta, embora, às vezes, acompanhe problemas de sono, como o sonambulismo ou os terrores nocturnos. A causa pode ser um problema físico (geralmente uma infecção nas vias urinárias) em 1 % dos casos. Outros problemas, como a diabetes, podem provocar, em casos raros, que a criança molhe a cama. Este problema também pode ter causas psicológicas, tanto na criança como noutro membro da família.
Em certos casos a criança deixa de molhar a cama para recomeçar algum tempo depois. A recaída costuma ser consequência de um acontecimento ou de uma doença psicologicamente stressantes, mas também é possível que a causa seja física, como uma infecção nas vias urinárias.
Tratamento
Quando a criança tem menos de 6 anos o médico costuma esperar para ver se o problema desaparece com o tempo. O problema desaparece em 15 % das crianças com mais de 6 anos. Se isso não acontecer, podem-se tentar três diferentes tipos de tratamento: apoio com terapia de comportamento, alarmes e terapia com medicamentos.

O apoio com terapia de comportamento é, provavelmente, o tratamento mais utilizado. Tanto a criança como os pais recebem apoio. Aprendem que o molhar a cama é bastante frequente, que é possível corrigi-lo e que ninguém deve sentir-se culpado em relação a isso.

Os alarmes são, sem dúvida nenhuma, o tratamento mais eficaz. Resolvem o problema em aproximadamente 70 % das crianças e somente cerca de 10 % a 15 % têm recaídas quando os alarmes deixam de ser utilizados. Os alarmes, que disparam com algumas gotas de urina, são relativamente baratos e fáceis de instalar. A desvantagem deste tratamento é a sua lentidão. Nas primeiras semanas de uso, a criança acorda só depois de ter urinado completamente. Nas semanas seguintes acorda depois de ter urinado muito pouco e pode começar a molhar a cama com menos frequência. Finalmente, a necessidade de urinar acorda a criança antes que comece a molhar a cama. A maioria dos pais comprova que o alarme se pode deixar de usar depois de 3 semanas «secas».

A terapia com medicamentos é muito menos utilizada na actualidade do que era no passado, porque os alarmes são mais eficazes e os medicamentos podem provocar efeitos colaterais. No entanto, se os outros tratamentos falharem e a família desejar um tratamento com medicamentos, o médico pode receitar imipramina. A imipramina é um medicamento antidepressivo que relaxa a bexiga e distende o esfíncter que bloqueia o fluxo de urina. Se o tratamento funcionar, o resultado nota-se na primeira semana. Esta resposta rápida é a única vantagem do medicamento, principalmente se a família e a criança sentem a necessidade de curar o problema rapidamente. Quando a criança passa um mês sem molhar a cama, reduz-se a dose do medicamento durante 2 a 4 semanas, até parar completamente a sua ingestão. No entanto, cerca de 75 % das crianças tratadas com imipramina costumam ter recaídas. Se isto acontecer, pode-se tentar um novo tratamento durante 3 meses com o mesmo medicamento. Tiram-se amostras de sangue de 2 em 2 ou de 4 em 4 semanas enquanto a criança está a ser medicada, para se ter a certeza de que o número de glóbulos brancos não diminuiu muito (um efeito colateral muito raro, mas grave).
Uma alternativa é o aerossol nasal de desmopressina. Este medicamento reduz a produção de urina. Tem menos efeitos colaterais, mas é caro.
Encoprese
A encoprese é a defecação involuntária que não é causada por nenhuma doença ou anomalia física.
Aproximadamente 17 % das crianças com 3 anos e 1 % com 4 anos têm defecações involuntárias. A maioria destes percalços produz-se devido à resistência das crianças em irem sozinhas à casa de banho. No entanto, por vezes são provocados por uma obstipação crónica que dilata a parede intestinal, impede que a criança se aperceba de que tem os intestinos cheios e dificulta o controlo muscular.
O médico tenta primeiro determinar se a causa é física ou psicológica. Se a causa for a obstipação, receita-se um laxante e tomam-se outras medidas para assegurar a regularidade das defecações. Se isto falhar, devem realizar-se exames de diagnóstico. Poderá ser necessário contar com o apoio psicológico para as crianças cuja encoprese seja o resultado da resistência à ida à casa de banho.



Terapia de comportamento de enurese
Responsabilidades da criança
  • Ter um calendário para registar as noites molhadas e secas.
  • Abster-se de beber qualquer líquido duas ou três horas antes de se deitar.
  • Urinar antes de se deitar.
  • Mudar o pijama e a roupa da cama quando se molham.
Responsabilidades dos pais
  • Não castigar a criança por ter molhado a cama, nem se aborrecer quando isso acontece.
  • Fazer elogios e dar recompensas (uma estrela no calendário ou outras coisas, conforme a idade da criança) por cada noite seca.

Causas de obstipação crónica que conduzem a encoprese
  • Retenção das fezes por medo de utilizar a casa de banho.
  • Resistência ao ensino da casa de banho.
  • Uma dilaceração dolorosa do ânus (fissura anal).
  • Defeitos de nascimento como anomalias da espinal medula ou do ânus.
  • Doença de Hirschsprung.
  • Baixas concentrações de hormona tiróidea.
  • Pouca alimentação.
  • Paralisia cerebral.
  • Doença psiquiátrica na criança ou na família.




DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Alimentação saudável na infância e adolescência
Foto de adolescente comendo verduras
A realidade entre crianças e adolescentes mostra um caminho contrário ao da busca pela saúde. Sobrepeso e obesidade crescem cada vez mais nesta parcela da população, preocupando a saúde pública.

Consumo excessivo de doces, fast-foods e snakcs (pequenos lanches, geralmente nada saudáveis, entre as refeições) são hoje rotina na vida das crianças e adolescentes modernos. Rodeados pela forte influência da mídia – que incentiva cada vez mais o consumo de alimentos ricos em gorduras e com alto valor calórico –, tornam-se presas fáceis das grandes indústrias alimentícias.

O marketing e a publicidade das indústrias de alimentos são tão fortes que os produtos anunciados acabam se tornando referência em alimentação para crianças e adolescentes, ainda na fase de desenvolvimento psicológico. Fatores biológicos, como pré-disposição genética, ou psicológicos, como distúrbios, chateações, problemas e situações cotidianas também são os vilões na busca de uma vida mais saudável.

Os fatores sócio-econômicos facilitam a compra de alimentos mais caros, mas, nem por isso, mais saudáveis. Já os fatores sócio-comportamentais englobam todo o ambiente em que a criança está inserida, como a casa, a escola e toda influência que a mesma sofre neste ambiente.

Essa realidade do surgimento do sobrepeso e obesidade entre os jovens, pelo excesso de consumo de alimentos de alto valor calórico e baixo consumo de frutas, leguminosas e hortaliças é uma realidade bastante triste e preocupante para os pais. É o que mostram estudos recentes sobre a alimentação e estado nutricional de crianças e adolescentes. Cada vez mais cedo, estes vêm desenvolvendo doenças que antes eram comuns somente em adultos.

Além do sobrepeso e da obesidade, é comum encontrar crianças com estas doenças associadas a outras patologias, como hipercolesterolemia, hipertensão, diabetes, hipotireoidismo e outros distúrbios hormonais. Existem ainda co-morbidades que podem representar risco para o crescimento e desenvolvimento das crianças. Estudos mostram que a presença dessas patologias pode afetar o metabolismo infantil, atrapalhando o crescimento e desenvolvimento, podendo também acarretar doenças futuras na fase adulta.

Para ambos os sexos, quanto mais precoce é o início do distúrbio do peso, maior a susceptibilidade ao desenvolvimento de sobrepeso e obesidade na vida adulta, sendo a faixa de 4 a 8 anos de idade a de maior ocorrência. E esse quadro pode ser ainda mais agravado caso a criança seja sedentária.

O ritmo de vida atribulado, com uma rotina cada vez mais atribulada e cansativa – em razão das inúmeras atividades escolares e extra-curriculares, como cursos de idiomas – têm feito os jovens terem cada vez menos tempo e disposição para a prática de atividades físicas. Somado a isso, há a má utilização do tempo livre, geralmente gasto com horas em frente à televisão, computador ou video-game.

Foto de criança comendo frutasA atividade física é muito importante e fundamental na vida da criança e do adolescente, uma vez que o exercício acelera o metabolismo, ajuda no crescimento e desenvolvimento psicológico e do corpo, evitando o estresse e motivando-os a desenvolver outras atividades. Além disso, o exercício físico pode representar um momento de lazer e descanso das atividades habituais. Promove o desenvolvimento social, trazendo bem-estar, assim como inúmeros benefícios à saúde e à qualidade de vida.

A população infantil é, do ponto de vista sócio-econômico e cultural, dependente do ambiente em que vive, que é, na maioria das vezes o ambiente familiar. Suas atitudes sempre serão reflexo deste ambiente, ou seja, a criança observará os exemplos que tem em casa e seguirá estes exemplos. Quando o ambiente em que a criança está inserida não é favorável, essa situação pode desencadear distúrbios alimentares, desenvolvimento de sobrepeso e obesidade e até mesmo a desnutrição infantil.

Cabe aos pais se preocuparem e se conscientizarem com a saúde, bem-estar e qualidade de vida de seus filhos. Vale lembrar que as boas atitudes e exemplos começam em casa: proporcionar uma boa alimentação desde que a criança é ainda bebê pode ajudá-la a crescer e se desenvolver com mais saúde. Um bom exemplo é a amamentação, pois estudos confirmam que o consumo adequado do leite materno é um fator protetor contra a obesidade infantil.

Daí a importância de estipular horários adequados para cada refeição, sem pular nenhuma delas. Além disso, é imprescindível observar as preferências alimentares das crianças e adolescentes – o que eles costumam colocar no prato –, incentivar o consumo de alimentos saudáveis e explicar a importância de uma alimentação saudável para um bom crescimento e desenvolvimento do organismo em sua fase de crescimento.

Ainda que o fator genético tenha grande importância para o desenvolvimento da obesidade infantil, estudos recentes mostram que os hábitos alimentares influenciam de forma considerável no metabolismo das crianças. Quando elas se habituam a comer corretamente e entendem, de fato, a importância da alimentação saudável em sua vida, podem levar esses bons hábitos para a fase adulta.

Mas não basta proibir o consumo de certos alimentos. O certo é explicar, conscientizar a criança ou o adolescente da importância de uma alimentação saudável e, principalmente, dos malefícios que trazem o excesso do consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcares e de alto valor calórico.

E, ainda que a longo prazo, os resultados virão. Além de uma melhor a qualidade de vida, bem-estar e saúde, estes jovens diminuirão os riscos de patologias e problemas futuros, tornando-se adultos mais saudáveis.

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Imagens: Arquivo pessoal do consultório

ATENÇÃO: a responsabilidade deste artigo é exclusiva de seu respectivo autor, que escreve a título gratuito e sem qualquer remuneração, da mesma forma que não possui nenhum vínculo empregatício com o Senado Federal.

DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Problemas de alimentação


É muito frequente nas crianças entre 1 ano e os 8 anos de idade uma normal falta de apetite, causada por um menor índice de crescimento. Os problemas de alimentação podem surgir se a pessoa que cuida da criança tentar obrigá-la a comer ou mostrar demasiada preocupação com o apetite ou os seus hábitos de alimentação. Enquanto os pais obrigam e ameaçam, as crianças com problemas de alimentação são capazes de continuar sentadas na mesa com a comida na boca. Algumas crianças podem vomitar como reacção às tentativas dos pais de a obrigarem a comer.

Tratamento
O tratamento implica diminuir a tensão e as emoções negativas que envolvem as horas das refeições. Podem evitar-se as cenas dramáticas pondo a comida à frente da criança e retirando-a ao fim de 15 ou 20 minutos sem fazer nenhum comentário. Deve-se permitir que a criança coma o que deseja nas alturas devidas, mas é necessário proibi-la de «petiscar» entre as refeições. Com esta técnica, recupera-se rapidamente o equilíbrio entre o apetite, a quantidade de alimentos que se ingere e as necessidades nutricionais.

Desenvolvimento Infantil

Problemas do sono       







Os pesadelos são sonhos assustadores que acontecem durante o sono REM (movimento ocular rápido). A criança que tem um pesadelo costuma acordar completamente e pode descrever vivamente os pormenores do sonho. É normal que de vez em quando tenha pesadelo se tudo o que necessita é que os pais, ou a pessoa que cuide dela, a reconfortem. No entanto, os pesadelos frequentes são anormais e podem indicar um problema psicológico subjacente. As experiências assustadoras, incluindo os contos de terror ou os programas televisivos violentos, podem provocar pesadelos. Esta causa é particularmente frequente nas crianças entre os 3 e os 4 anos de idade, que não conseguem distinguir nitidamente entre fantasia e realidade.

Os terrores noturnos são episódios nos quais a criança acorda de maneira incompleta e extremamente ansiosa, pouco depois de ter adormecido. A criança não se lembra destes episódios. O sonambulismo consiste em levantar-se da cama e andar pela casa aparentemente adormecido. Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo costumam acontecer quando a criança acorda de forma incompleta de um sono profundo (não REM), interrompendo as três primeiras horas de sono. (Ver imagem da secção 6, capítulo 64) Estes episódios duram entre poucos segundos e vários minutos. Os terrores noturnos são dramáticos devido aos gritos e ao pânico inconsolável da criança durante o episódio. São mais frequentes entre os 3 e os 8 anos de idade.

Um sonâmbulo anda de maneira confusa, mas não costuma chocar contra os objetos com que se cruza. Parece confundido, mas não assustado. Uma criança sonâmbula acorda de repente com o olhar perdido ou confuso. Ao princípio não está completamente acordada nem consegue responder às perguntas. De manhã é incapaz de se lembrar do episódio. Aproximadamente 15 % das crianças entre os 5 e os 12 anos sofrem, pelo menos, um episódio de sonambulismo. Cerca de 1 % a 6 % das crianças, mais frequentemente na idade escolar, sofrem de sonambulismo de forma persistente. Um incidente estressante pode provocar um destes episódios.

A resistência a deitar-se é um problema frequente, especialmente nas crianças entre 1 ano e os 2 anos de idade. As crianças pequenas choram quando ficam sozinhas na cama ou saem dela para ir procurar os pais. Este comportamento está relacionado com a ansiedade pela separação e com as tentativas de a criança controlar mais aspectos do seu meio envolvente.

O acordar durante a noite é outro problema de sono das crianças pequenas. Aproximadamente metade dos bebês entre os 6 e os 12 meses de vida acordam durante a noite. As crianças que sofrem ansiedade pela separação também costumam fazê-lo. Nas crianças mais velhas, o fato de acordarem durante a noite costuma





ser consequência de uma mudança de casa, uma doença ou outro acontecimento estressante. Os problemas de sono podem piorar se a criança dormir grandes sestas durante a tarde e participar em jogos demasiado excitantes antes de se deitar à noite.

Tratamento

Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo desaparecem quase sempre, por si só, apesar de que podem acontecer episódios ocasionais durante anos. Se os problemas persistirem na adolescência e inclusive na idade adulta, é possível que exista algum problema psicológico.

Deixar que uma criança que resiste a ir para a cama se levante ou fique no quarto dos pais quanto tempo quiser para que se sinta melhor não serve absolutamente para nada. Permitir que a criança durma com os pais só prolonga o seu problema de acordar durante a noite. É igualmente contraproducente brincar com a criança ou dar-lhe comida durante a noite, como também o é castigá-la fisicamente ou repreendê-la. Costuma ser mais eficaz levar a criança de novo para a sua cama, dizendo-lhe frases tranquilizadoras. Também dá bons resultados contar-lhe uma curta história, entregar-lhe o seu boneco ou manta preferida e deixar uma luz acesa durante a noite. Para controlar completamente o problema, um dos pais pode sentar-se no corredor, sem falar, à frente do quarto e bem à vista da criança, para ter a certeza de que esta continua na cama. Dessa maneira, a criança aprende que não é permitido levantar-se da cama. Também aprende que os pais não podem voltar a entrar no quarto para contar-lhes histórias nem brincar. A criança acaba, finalmente, por adormecer.

Nos casos em que a criança se levanta de noite e anda pela casa, a instalação de uma fechadura na parte externa da porta do quarto pode resolver o problema. De qualquer maneira só se deve fechar a porta à chave depois de cuidadas considerações, para que a criança não se sinta isolada.


 

 
“Em paz eu me deito e logo pego no sono, porque só tu Senhor, me fazes repousar seguro.” Salmos 4:8

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Problemas de comportamento








Os problemas de comportamento consistem em padrões de comportamento tão difíceis que ameaçam as relações normais entre a criança e quem a rodeia.

Os problemas de comportamento podem ser causados pelo ambiente que rodeia a criança, pela sua saúde, pela sua personalidade inata ou pelo seu desenvolvimento. Uma má relação com os pais, professores ou pessoas que cuidem dela também pode ser a raiz de um problema de comportamento.
Para diagnosticar um problema de comportamento, o médico, ou terapeuta, pede aos pais uma descrição completa e cronológica das actividades da criança num dia qualquer. A conversa centra-se nas circunstâncias que originam o problema de comportamento e os pormenores do comportamento em si mesmo. O médico também observa a interacção entre a criança e os pais. Os problemas de comportamento têm tendência a piorar à medida que o tempo passa e um tratamento precoce pode contribuir para evitar a sua progressão. Um contacto mais positivo e agradável entre os pais e a criança pode aumentar a auto-estima de todos. Uma melhor interacção pode ser útil para quebrar o círculo vicioso de comportamentos negativos que provocam respostas igualmente negativas.

Problemas de interacção entre a criança e os pais
Os problemas de interacção entre a criança e os pais consistem nas dificuldades que surgem nas relações entre eles.

Os problemas de interacção podem começar durante os primeiros meses de vida. A relação entre a mãe e o bebé pode ser difícil como consequência de uma gravidez ou de um parto difícil. A depressão pós-parto ou a falta de apoio por parte do pai, dos familiares ou dos amigos também pode criar tensões na relação entre mãe e bebé. Os horários imprevisíveis em que um bebé come e dorme contribuem ainda mais para dificultar a situação. A maioria dos bebés não dorme durante toda a noite até aos 2 ou 3 meses de vida. Durante esta fase, a maioria dos bebés tem frequentemente períodos de choro intenso e prolongado. O esgotamento e o sentimento de culpa podem unir-se a uma sensação de desespero que afecta a relação dos pais com o bebé. Esta má relação pode parar o desenvolvimento das aptidões sociais e mentais do bebé e dificultar a sua progressão. (Ver secção 23, capítulo 257)
Tratamento
Pode dar-se aos pais informação acerca do desenvolvimento das crianças, além de conselhos benéficos para a relação com elas. O médico também pode avaliar e descrever a personalidade do bebé. Estas medidas ajudam os pais a tornarem-se mais realistas e a compreenderem que a culpa e o conflito são emoções normais quando se cria uma criança. Ter consciência disso permite que os pais aceitem os seus sentimentos e tentem reconstituir uma relação mais saudável.

Ansiedade da separação
A ansiedade da separação é a ansiedade que uma criança sente quando um dos seus pais a deixa sozinha.
Chorar quando a mãe sai do quarto ou quando um estranho se aproxima é uma fase normal do desenvolvimento que começa aproximadamente aos 8 meses de idade e dura até aos 18 ou 24 meses. A intensidade deste comportamento varia de criança para criança. Alguns pais, principalmente os que o são pela primeira vez, pensam que a ansiedade pela separação é um problema emocional e reagem com uma atitude protectora, evitando as separações ou as situações novas. Este comportamento pode provocar problemas na maturação e no desenvolvimento da criança. O pai pode interpretar a ansiedade da criança como um sinal de que está mal-educada e, então, pode criticar a mãe ou tentar modificar o comportamento da criança com repreensões ou castigos físicos.
Tratamento
O médico, ou a enfermeira, pode acalmar os pais assegurando que o comportamento da criança é normal e pode também ensinar-lhes métodos para controlar a situação. São incentivados a serem cada vez menos protectores e restritivos, para permitir o desenvolvimento normal do bebê.

Problemas de disciplina
Os problemas de disciplina são comportamentos não apropriados que surgem quando a disciplina não é adequada.
A disciplina é uma técnica de prémios e castigos destinada a conseguir o comportamento desejado. Os esforços para controlar o comportamento da criança, através de repreensões ou castigos físicos, como palmadas suaves, podem funcionar se forem usados com precaução e com pouca frequência, mas perdem a eficácia se forem utilizados em excesso. Ralhar ou bater numa criança também pode contribuir para reduzir a sua auto-estima e a sensação de segurança. Não conseguir disciplinar correctamente uma criança pode originar um comportamento socialmente inaceitável. As ameaças dos pais de se irem embora ou mandarem embora a criança podem ser psicologicamente prejudiciais. Os elogios e as recompensas podem reforçar o bom comportamento. Nos casos de mau comportamento a aplicação de um «tempo de exclusão» pode ser muito útil. Para realizar este processo são necessários um pequeno temporizador de cozinha e uma cadeira. A cadeira coloca-se numa zona sem distracções, como a televisão ou brinquedos. Não se deve colocar no quarto da criança nem num sítio escuro ou assustador. As «exclusões» constituem um processo de aprendizagem para a criança. O ideal é utilizá-las para alguns determinados tipos de comportamento não apropriado. Os pais devem criar todos os dias momentos especiais de convívio agradável com os filhos, já que as crianças, geralmente, preferem a atenção que se lhes dá quando se portam mal do que não terem nenhuma atenção. Os momentos agradáveis que passem juntos também permitem aos pais recompensarem o bom comportamento.

Padrão do círculo vicioso
Um padrão de círculo vicioso é um ciclo de comportamento negativo (mau) por parte da criança, que gera uma resposta negativa (ira) nos pais ou na pessoa que cuida dela, seguida de outro comportamento negativo por parte da criança, causando uma resposta negativa nos pais.

Os círculos viciosos costumam começar quando uma criança é agressiva e oferece resistência. Os pais ou quem trata da criança respondem com repreensões, gritos e castigos físicos. Podem estar a reagir perante a habitual atitude negativa de uma criança de 2 anos ou perante as respostas de uma de 4 ou podem estar a tentar controlar uma criança que teve um feitio difícil desde que nasceu. Estas crianças costumam reagir ao stress e ao mal-estar emocional com teimosia, respostas insolentes, agressividade e explosões de mau-humor mais do que com choro.
Os círculos viciosos também podem surgir quando os pais reagem com sobreprotecção e permissividade perante uma criança medrosa, agarrada a eles ou manipuladora. Costumam aparecer nas consultas médicas crianças com problemas de «saúde» que afinal estão relacionados com o comportamento. Um dia normal inclui conflitos à hora da refeição e dificuldades quando os pais devem deixar a criança sozinha, como na hora da sesta ou à noite. Os pais costumam realizar tarefas que a criança pode fazer de forma independente, como vestir-se e comer sozinha. Acreditam, erradamente, que a criança será prejudicada se a submeterem a uma certa disciplina.
Tratamento
O padrão do círculo vicioso pode terminar se os pais aprenderem a ignorar o mau comportamento que não afecte os direitos dos outros, como as birras ou o facto de se negar a comer. No entanto, para o tipo de comportamento que não se pode ignorar pode-se tentar recorrer à distracção ou ao procedimento de «interrupção». Também se pode reduzir a fricção e encorajar o bom comportamento elogiando convenientemente a criança. Além disso, os pais e a criança devem realizar alguma actividade de que todos gostem, pelo menos 15 a 20 minutos por dia. Se estes ajustamentos não rompem o círculo vicioso do comportamento num período de 3 a 4 meses, pode ser necessário que a criança seja vista por um psicólogo ou um psiquiatra.



Processo de «tempo de exclusão»
  • A criança tem um comportamento inadequado sobre o qual se convencionou que ajudará um tempo de exclusão.
  • Explica-se sumariamente à criança o seu mau comportamento. Depois pede-se-lhe com calma que vá para a cadeira de castigo ou é conduzida para lá, se for necessário.
  • Depois de a criança estar sentada na cadeira, põe-se o relógio automático para que dure 1 minuto por cada ano de idade, até um máximo de 5 minutos.
  • Se a criança se levanta da cadeira antes de soar a campainha, volta-se a sentá-la e põe-se novamente o relógio a trabalhar. Uma criança que se levanta repetidamente pode necessitar de ser presa à cadeira, não ao colo de alguém. Evita-se conversar com ela e trocar olhares. Se a criança tem de estar presa à cadeira durante todo o tempo até soar a campainha, volta a pôr-se o relógio a trabalhar.
  • Se a criança permanece na cadeira mas faz barulho antes de soar a campainha, volta a pôr-se o relógio a trabalhar.
  • Quando chega o momento de se levantar da cadeira, a pessoa que toma conta dela pergunta-lhe, sem se agastar nem se queixar, se sabe o motivo do castigo. Se a criança não se lembra do motivo correcto, recorda-se-lho brevemente.
  • A pessoa que toma conta dela deve fazer comentários sobre o comportamento digno de elogio da criança, antes de passar demasiado tempo do mesmo. Esse comportamento pode ser mais fácil de conseguir quando se inicia a criança numa nova actividade longe do lugar do comportamento insatisfatório.

FONTE: Biblioteca Medicina on line
Saiba de que maneira as crianças entendem a perda e veja o que fazer nesse momento


ilustração Freya Blackwood
Simone Tinti


Siobhán é uma garota que vive em um casarão em Dublin, Irlanda, com seu pai. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas três anos e, agora, a menina está se esquecendo da fisionomia dela...”Já havia procurado em todos os cantos da casa. Encontrou velhos livros da mãe, uma echarpe e um par de extravagantes sapatos verdes, mas nenhuma fotografia”.

Esse é um trecho de É a Cara da Mãe (Galerinha Record), livro de Roddy Doyle que aborda um tema nada fácil de abordar com as crianças: a morte. Como afirma o próprio autor, ele partiu de uma experiência de sua mãe para escrever esse livro. “Minha avó morreu quando minha mãe tinha a mesma idade da personagem. Eu cresci sabendo disso, até que resolvi escrever essa história”, diz. A dificuldade em falar sobre o tema, inclusive, é retratada na história, por meio do silêncio do pai de Siobhán, “um sujeito legal, mas meio parado e muito triste”, que não gostava de conversar. E que nunca disse à garota uma palavra sobre sua mãe. “Na verdade, ninguém jamais falou sobre a mãe com Siobhán”. Cabe à garota, portanto, encontrar um jeito próprio de não se esquecer...

Quando chega o momento de falar sobre morte com as crianças, os pais se enchem de dúvidas: devo contar que o avô está muito doente e pode morrer? Como explicar o que é uma perda como essa? Como diz Cristina Mendes Gigliotti, psicóloga clínica do Hospital M´Boi Mirim, em São Paulo, a primeira atitude é contar a verdade. “É preciso explicar para a criança o que é a morte. Deve-se dizer que faz parte do ciclo da vida, que é inevitável”, afirma. Para ela, as explicações de que a pessoa “foi viajar” ou “foi passear” não são indicadas. “Quem viaja, geralmente volta. E a criança também pode pensar ‘por que ele não se despediu de mim?’”, diz. Aliás, isso também deve acontecer no caso de um bicho de estimação – situação em que, geralmente, a criança tem o primeiro contato com a perda. Aproveite a situação para já explicar sobre o ciclo da vida.

Mas, como explica Cristina, a melhor maneira de a criança entender o que é a perda é explicar de uma maneira lúdica. Você deve contar a verdade, mas à resposta para a tradicional pergunta “e para onde ele foi?”, vale usar a criatividade. “Muitas crianças acham que a pessoa virou uma estrela ou que foi para o céu...nessa hora, o simbolismo é fundamental”, afirma a psicóloga. Ou seja, a criança vai entender o que aconteceu à maneira dela.

O processo de luto, como diz Cristina, tem diversas fases. Assim como os adultos, as crianças passam por isso também. “Começa com a negação, passa por uma época de muitas perguntas, depois por uma tristeza profunda, e só então chega à aceitação”, diz. Portanto, se você está preocupada por seu filho estar mais agressivo ou mais isolado depois de uma perda, saiba que esse comportamento é normal. “Se, por exemplo, a criança chora à noite, antes de dormir, é algo natural nesse processo e até uma maneira de defesa”, diz. O alerta só vale em caso de exagero, quando a tristeza passa a atrapalhar o dia a dia.

Mais uma vez, e sempre, a conversa é o mais importante. Quando o caso é de alguém doente, a preparação deve começar ainda no leito do hospital (ou em casa). Em O Guarda-chuva do Vovô (editora DCL), livro de estreia de Carolina Moreyra na literatura infantil, a personagem principal, que também é uma garota, diz como percebeu que algo estava acontecendo com seu avô. “Um dia achei o vovô diferente e perguntei pro meu pai se ele estava encolhendo”.

Para a psicóloga Cristina, se o hospital permitir a entrada de crianças, elas devem, sim, visitar o doente. “É uma maneira de fechar um ciclo e de a criança vivenciar os últimos momentos com aquela pessoa querida”, diz. Os pais precisam, no entanto, tomar certos cuidados. “As visitas não devem atrapalhar a rotina e também não dá para voltar do hospital e deixar seu filho sozinho ou ocioso...é preciso conversar, explicar o que está acontecendo, e depois, propor alguma outra atividade. Os livros, desenhos e filmes são bons aliados nessas horas”, diz. O pai da garota de É a Cara da Mãe, apesar de não gostar de conversar, às vezes lia para ela. “Toda sexta-feira ele trazia um livro novo para casa. Quando percebia que a menina estava olhando para ele, o pai sorria...”.

Outra maneira de confortar a criança é definir um “objeto de amor”. Assim como os chamados objetos de transição, pode ser uma peça de roupa, um objeto pessoal, acessório ou até mesmo um livro que tenha ligação com a pessoa que morreu. Ou então, um livro ou filme que serviu de amparo nesse momento. “Esse objeto é o que vai representar o vínculo com aquela pessoa que seu filho perdeu e pode dar uma sensação de segurança. É algo que ajuda a não se sentir tão sozinha. No caso de morte de pais ou mães, principalmente, esses objetos são muito importantes”, diz Cristina. Em o O Guarda-chuva do Vovô, o “objeto de amor” está no título. E a escolha não foi feita por acaso, como diz a autora. Ela escreveu o livro por causa da morte de seu próprio avô. “Ele ficou muito doente e faleceu um pouco depois do meu primeiro filho (hoje com três anos) nascer. Como estava com um bebê muito pequeno, não pude me despedir dele e fiquei com algo entalado dentro de mim. Em um dia de chuva, acabei pegando o guarda-chuva dele emprestado. E ficava pensando, ‘puxa, isso é tudo o que eu tenho do meu avô’...”, conta.

Carolina afirma que a obra foi uma maneira de ela mesma botar um sentimento para fora. Como não pôde se despedir do avô da maneira que gostaria, decidiu fazer isso por meio da literatura. Na hora de escolher a maneira de descrever esse sentimento, não teve dúvidas: colocou-se na situação de uma criança, a partir de um interesse crescente por literatura infantil. “Como eu vinha pensando sobre essa linguagem há algum tempo, vesti a pele da criança que provavelmente eu fui e passei a descrever o que via desse novo ponto de vista”, diz. Escrever, como ela conta, foi fácil, e o livro saiu de uma só vez. “Sentei na frente do computador, ainda com meu filho no peito, e escrevi todo o texto”.

Como a criança entende a morte em diferentes idades
Até 6 anos O vínculo afetivo maior é com os pais (ou os cuidadores) e os irmãos. Quando ocorre uma morte fora desse círculo, a criança vai perceber que algo aconteceu, mas o sentimento de perda não será tão grande. De acordo com Cristina, não é indicado ir a velórios e enterros até essa idade. “Não há regras, pois cada criança tem uma sensibilidade diferente. Cabe aos pais decidir. Mas, no geral, os menores ainda têm muitos medos e fantasias”, diz.

A partir de 7 anos A criança começa a criar outros vínculos (na escola, principalmente) e, com isso, passa a sentir mais intensamente as perdas fora do círculo familiar. Ela passa a compreender melhor a morte, e é possível falar mais abertamente com ela sobre o assunto.

Fonte: Cristina Mendes Gigliotti, psicóloga da área de Oncologia Clínica do Hospital M´Boi Mirim, em São Paulo


Livros para criança que falam sobre perdas
O Guarda-chuva do Vovô, de Carolina Moreyra e ilustrações de Odilon Moraes
Editora DCL
Obra vencedora do prêmio FNLIJ nas categorias Criança e Escritor Revelação

É a Cara da Mãe, de Roddy Doyle e ilustrações de Freyia Blackwood
Galerinha Record

Menina Nina, de Ziraldo
Editora Melhoramentos

Vovó Nana, de Margaret Wild e ilustrações de Ron Brooks
Brinque-Book

A Poltrona Vazia, de Sandra Saruê e ilustrações de Marcelo Boffa
Editora Melhoramentos

O Jogo da Amarelinha, de Graziela Bozano Hetzel e ilustrações de Elizabeth Teixeira
Editora Manati

A Velhinha que Dava Nome às Coisas, de Cynthia Rilant e ilustrações de Kathryn Brown
Editora Brinque-Book

Mas Por quê?! A História de Elvis, de Peter Schössow
Editora Cosac Naify

Era Uma Vez um Reino Sonolento, de Leo Cunha e Ricardo Benevides
Ilustrações de André Neves
Editora Record

A Vida Íntima de Laura, de Clarice Lispector e ilustrações de Flor Opazo
Editora Rocco

O Segredo é não ter Medo, de Tatiana Belinky e ilustrações de Guto Lacaz
Editora 34

Sapato Furado, de Mario Quintana e ilustrações de André Neves
Editora Global